Olímpia, Quarta-Feira, 27 de Agosto de 2014
  Home Notas Localização Fale Conosco Colégio
A Família Brasileira Contemporânea - Recomendações de leitura - Colégio Eduvale - Olímpia-SP Recomendações de leitura
• A Família Brasileira Contemporânea

Para compreendermos a família brasileira atual, sua estruturação, suas características, teremos de iniciar refletindo sobre qual o modelo de análise é apropriado para essa compreensão (MELLO, 1995).
A autora enfatiza que tal análise exige muita observação, pesquisa e abandono de conceitos ou preconceitos.
O primeiro passo de todo esse processo seria estudar a história da organização familiar no Brasil, a "família patriarcal".

CORRÊA (1982), em Repensando a Família Brasileira, mostra que sua história começa nas regiões onde foram implantadas as grandes unidades agrárias de produção, os engenhos de açúcar, as fazendas de criação ou as plantações de café, no século XVI, transformando-se em matriz da sociedade colonial inteira até meados do século XIX. A autora questiona as abordagens apresentadas pelos autores GILBERTO FREYRE (Casa-grande Senzala) e ANTÔNIO CÂNDIDO ("The Brasilian Family"). A forma como GILBERTO FREYRE denominou a família brasileira não é representativa, pois na mesma época existiam outras formas de composição familiar no Brasil. Na crítica a GILBERTO FREYRE aparece a exclusão de todos os segmentos sociais que contribuíram para a compreensão de família patriarcal da época, como a escravidão indígena, que teve papel fundamental na povoação do país.

No início do século XIX, a corte portuguesa imperava no Brasil colonial. Nesse período, surge uma oposição entre o Estado colonial e a família senhorial brasileira.
O Estado brasileiro sempre considerou a família um dos mais fortes obstáculos à consolidação da política vigente na época. Sendo assim, a família foi tomada como alvo, pois acreditava-se na sua capacidade de preparar cidadãos patriotas para servir o país.

A Medicina é usada para combater a família elitista, e através da higiene, ela surge com toda força articulada pelos interesses políticos do Estado. A princípio, o processo de higienização se dirige exclusivamente às famílias de elite; logo após é introduzida nas famílias burguesas citadinas, visando "modificar condutas físicas, intelectuais, morais, sexuais e sociais dos seus membros, com vistas à sua adaptação ao sistema econômico e político" (COSTA, 1989, p. 33).

A medicina faz surgir o respeito pela criança e pela mulher. Valorizadas, ambas começam a ter lugar de destaque na família. A mulher é percebida como responsável pela formação dos filhos. No relacionamento conjugal, a higiene introduz normas que afetam as relações; a intimidade permite um fluxo objetivo mais harmônico entre os membros da família. A casa é modificada arquitetonicamente para melhorar o contato entre o ambiente doméstico e o meio social. Os pais preocupam-se com o desenvolvimento físico e sentimental dos filhos, educam-nos para adquirir maior consciência de suas próprias individualidades. O amor entre pais e filhos torna-se energia moral responsável pela coesão familiar (COSTA, 1989).

A medicina reafirma a posição da mulher no lar como o principal agente da ideologia da família. Para isso, o casamento é instituído e o pai ganha um papel significativo nessa relação. A citação de JURANDIR F. COSTA, em seu livro Ordem Médica e Norma Familiar (1989), ilustra este momento com as seguintes colocações:

"O pai antigo era fundamentalmente um proprietário. Possuía bens, escravos, mulheres e filhos, a quem impunha sua lei e seu direito sem maiores obrigações para com terceiros. Deveres só consigo mesmo; (...) o ''pai higiênico'' nasceu com sua outra ética e outra profissão. (...) Seus deveres eram inúmeros, seus direitos diminutos. Devia prover a subsistência material da família, otimizar a reprodução física da raça e maximizar o patriotismo da sociedade" (COSTA, 1989, p. 239-240).

Com isto o homem perde seu poder absoluto, mas começa a ser visto como modelo mais sensual e menos amoroso, mais racional e menos sentimental; mais inteligente e menos objetivo. Além de trabalhar e manter a família, tinha de cuidar do corpo e do sexo. Com a higiene esse homem vai atuar sobre os filhos:

..."vai casar para ter filhos; trabalhar para manter os filhos; ser honesto para dar bom exemplo aos filhos; investir na saúde e na educação dos filhos; poupar pelo futuro dos filhos, submeter-se a todo tipo de opressão pelo amor dos filhos; enfim, ser acusado e aceitar a acusação, ser culpabilizado e aceitar a culpa, por todo tipo de mal físico, moral ou emocional que ocorresse aos filhos" (COSTA, 1989, p. 251).

Embora alguns estudos deem muita ênfase ao quadro da estrutura familiar patriarcal no início do século XVI, outros estudos apontam para aspectos diferentes da composição familiar no Brasil. Para SAMARA (1987) houve uma exagerada tendência à moral e à pureza, na forma como historiadores e romancistas descrevem o quadro, estereotipando algumas relações. Segundo a autora, houve uma ruptura na complexidade familiar, levando pais a se separarem dos filhos solteiros e casados, de genros, de noras e netos, não vivendo com isso a mesma estrutura do séculos XVIII e XIX, como era vivida na Casagrande de GILBERTO FREYRE.

A demasiada ênfase que é dada à autoridade do homem (marido) sobre a mulher, no modelo patriarcal, não retrata outras formas de problemas vivenciados. As mulheres, ociosas e recatadas "teriam, sob o ponto de vista da historiografia tradicional, um estilo de vida restrito ao lar, segregadas e com raras oportunidades de aparecer em público". As pinturas da época retratam outra faceta da realidade: acrescentam imagens das mulatas, negras e brancas pobres que andavam pelas ruas em busca da sobrevivência, ou viviam vida promíscua (prostituição). (p.34)

O quadro se apresenta no final do período colonial com características marcantes, mostrando que na prática os valores tradicionais de submissão da mulher estavam sendo afetados e modificados embora a autoridade permanecesse nas mãos do sexo masculino. Observa-se, nesse período, a saída do homem do lar, levando a mulher à chefiar a casa. Inúmeras mulheres começam a participar da vida ativa da sociedade, abrindo negócios, assumindo cargos, assumindo a chefia da família e trabalhando para manter os filhos (SAMARA, 1987).

De um lado, a família contemporânea das classes populares luta pela sobrevivência, enfrenta o estado de miséria, a desumanização, a perda de vínculos. De outro lado, surgem os laços estreitos e amplos de solidariedade entre as famílias. Essa luta pela sobrevivência aumenta a intimidade nos pequenos cortiços.

As famílias de classe média lutam pela manutenção do privado, pelo fortalecimento dos laços familiares, pelo familiarismo. Para elas, a família é considerada um valor social, devendo agir-se dentro dela de maneira dócil, amena, da melhor forma possível.

Lucimara Maia.

Versão para Impressão desta página Recomende este site para um amigo Voltar para a Home Page do site Retornar para a Página Anterior  
 

 

Mais sobre: Recomendações de leitura
   Zygmunt Bauman
   Liberdade
   Gravidez na Adolescência
   Quando a comida vira fetiche
   Instituto Inhotim, Brumadinho - MG
   Leitura nas férias
   Férias Escolares – o que fazer com as crianças?
   Orientação Vocacional
   Vendemos barato nosso tempo
   MULHERES, PARABÉNS!
   Jogo de comparação de quantidades
   Floresta no apê - sustentabilidade
   Rio ganha primeiro distrito ecologicamente correto do país
   Comparando diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho
   Copa 2.014

 
 
Formação Integral - Clique Aqui
Cardápio - Clique Aqui
O que você quer ser quando crescer? - Clique Aqui
Clique Aqui e Saiba Mais
Sistema de Ensino SER - Clique Aqui
 

Av. Gov. Dr. Adhemar Pereira de Barros, 1.200
Distrito Industrial - Olímpia - SP - CEP: 15.400-000
Fone: (17) 3281-4372 / Fax: (17) 3281-4364
Faculdade Eduvale
Página Inicial | Fale-conosco | Faculdade

WebSite Desenvolvido por: OlímpiaWeb