Olímpia, Domingo, 21 de Setembro de 2014
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Avaliação do desempenho escolar focado no desenvolvimento de competências/habilidades - Recomendações de leitura - Colégio Eduvale - Olímpia-SP Recomendações de leitura
• Avaliação do desempenho escolar focado no desenvolvimento de competências/habilidades

Avaliação do desempenho escolar focado no desenvolvimento de competências/habilidades. (Vasco Moretto = mestre em didática das ciências, licenciado em física, especialista em avaliação institucional, autor de vários livros da área, criador do Pas/Brasília, moretto@terra.com.br)

O ministro da educação ancunciou o novo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como sendo uma “revolução” na educação brasileira. Na proposta oferece a matriz de referência que contém o enunciado de algumas competências e de grande número de habilidades a serem desenvolvidas para alcançá-las. Muitos professores, ao ler a matriz, reportaram-se aos planejamentos que eram elaborados há algumas décadas, nos quais eram colocados os objetivos gerais e os objetivos específicos, estes sempre expressos por meio de “verbos operacionais”. A dúvida logo apareceu: o que há, então, de novo na proposta do novo ENEM? Em que o trabalhar por competências e habilidades vai mudar o dia-a-dia do professor em sala de aula?

O problema central está na conceituação clara de competência e de habilidade.

Nesse contexto, conceituamos competência como a capacidade do sujeito mobilizar recursos para abordar e resolver situações complexas.

Segundo Edgard Morin, “a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos que constituem nosso mundo fenomênico. O conhecimento precisa ordenar os fenômenos, rechaçando a desordem, selecionar os elementos da ordem e da certeza, precisar, clarificar, distinguir, hierarquizar...” (2006, p.13)

Para o sujeito lidar com a complexidade dos fenômenos precisa ter recursos. E na medida em que ele os obtém, dizemos que desenvolveu competências. Em outras palavras, a competência é uma capacidade do sujeito, em função do maior ou menor número de recursos que ele desenvolveu, para resolver determinadas situações complexas. Ou seja, a competência é uma capacidade do sujeito e não a própria situação complexa. Portanto, competência não se lista. Pode-se apenas verificar se o sujeito a desenvolveu. O que se lista são situações complexas para as quais o sujeito desenvolve competência (tem recursos) para resolver. O paradigma deveria ser enunciado como educação para o desenvolvimento de competências e não educação para o alcance de competências.

Pensemos em algumas situações encontradas no dia-a-dia das pessoas e analisemos os recursos que são necessários para resolvê-las. Jogar futebol é uma situação complexa, logo, que recursos são necessários para ser um jogador de futebol competente? E se a situação for pilotar um carro numa corrida de fórmula 1?

Certamente os recursos necessários para pilotar o carro não são os mesmos exigidos para jogar futebol. Por isso, afirmamos sempre que “fulano é competente para...” (e indicamos a situação). Da mesma forma, embora tenhamos milhares de jogadores pelo Brasil, são poucos os “Pelés, Ronaldos, Kakás...” Mas todos os times têm ótimos, bons e médios jogadores. Dizemos, então, que a competência é uma capacidade de cada sujeito, o qual desenvolve mais ou menos recursos e isso dará sua maior ou menor competência, sendo seu desempenho o grande indicador dela.

E em sala de aula, o que busca o professor? Certamente responderíamos algo assim: “criar condições para que os alunos desenvolvam recursos para resolver as situações complexas propostas pelas várias disciplinas: interpretar textos, resolver equações matemáticas, interpretar fatos históricos, analisar fenômenos sociais, etc.” Ensinar, nesse contexto, é ajudar os alunos a obterem recursos necessários para o desenvolvimento das diferentes competências. Mas que recursos seriam esses?

Há diferentes modelos para isso. No modelo de desenvolvimento de competências que propomos, cinco são os recursos fundamentais:

a) conteúdos – toda situação complexa tem conteúdos conceituais que necessitam ser claramente compreendidos e dos quais o sujeito precisa se apropriar significativamente;

b) habilidades – correspondem ao saber fazer, o que podemos também chamar de conteúdos procedimentais;

c) linguagem – o domínio da linguagem de cada contexto é fundamental para a compreensão dos fenômenos. As mesmas palavras, em contextos diferentes, podem assumir significados diferentes. A linguagem das artes não é a mesma das ciências exatas;

d) valores culturais – ao analisar uma situação complexa, devemos inseri-la no seu contexto cultural, o qual dará sentido às linguagens e significado para quem busca resolvê-la;

e) administração do emocional – muitas vezes um atleta que se preparou por longo tempo para uma olimpíada, que conhece os conceitos teóricos do esporte, treinou as habilidades para executa-lo, domina a linguagem específica, está inserido no contexto cultural da atividade, pode falhar no momento crucial da realização da prova por não ter o necessário controle emocional. Os alunos, por sua vez, dizem: “eu sabia tudo, mas na hora da prova deu branco!”

Avaliar a aprendizagem do aluno com foco no desenvolvimento de competências é, na verdade, usar instrumentos que possam fornecer indicadores dos recursos acima descritos desenvolvidos pelos alunos. Na elaboração de um instrumento, as questões devem testar os vários recursos tanto separadamente quanto inter-relacionados. O professor poderá, assim, avaliar em qual recurso precisará de novas estratégias para melhorar a aprendizagem. Muitas vezes o aluno sabe realizar mecanicamente um procedimento porque decorou os passos, mas não tem os conteúdos conceituais que justifiquem o que fez. O instrumento de avaliação deverá dar ao professor esse retorno. Há situações complexas que exigem do aluno mais conteúdos conceituais (solução de problemas de matemática), outras mais habilidades de execução (aulas de educação física), outras mais domínio de linguagem (interpretação de texto), outras mais contextualização cultural (análise de fenômeno social) e outras a administração do emocional (resolução de desentendimento com colegas).

A ênfase na proposta do novo ENEM é que o aluno demonstre o desenvolvimento das competências inter-relacionando todos os recursos ao mesmo tempo. Como afirma o ministro da educação, exige-se do aluno maior capacidade de raciocínio, de análise e de síntese. Foi-se o tempo da simples “decoreba.” Buscar a competência é um eterno desafio de superação que o próprio sujeito se impõe.


Eduvale – escola de formação integral.


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